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Álbum de profundas danças -2

Prosseguindo com a galeria de palavras e imagens de Profundanças 2: antologia literária e fotográfica, livro organizado por Daniela Galdino e disponível para download gratuito no site da Voo Audiovisual.

Dayane Rocha

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Débora Ramos

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Érika Cotrim

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Haísa Lima
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Todas as imagens foram retiradas da fanpage Profundanças, no Facebook (https://www.facebook.com/profundancas/)

Álbum de profundas danças

Um convite para percorrer Profundanças 2: antologia literária e fotográfica através deste Álbum de palavras. O livro é organizado por Daniela Galdino e está disponível para download gratuito no site da Voo Audiovisual.

 

Aidil Araújo Lima

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Ana Mendes

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Andréa Mascarenhas

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Daniela Galdino
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Todas as imagens foram retiradas da fanpage Profundanças, no Facebook (https://www.facebook.com/profundancas/).

 

Os labirintos de Érica Azevedo

Labirintos/ Fado ou fato

No centro do labirinto
a vida pulsa.

Perdemos tempo
procurando uma saída.

 

O poeta e o labirinto

O poeta não está morto.
Apenas agoniza no labirinto
                  da linguagem
buscando decifrar
sua própria face.

A cada verso encontrado
um enigma se refaz.

 

Alucinação

Vejo tua voz como mar.
Sinto teu cheiro como chuva.
Imagino teu corpo lua.

Penso teu rosto
em meu sorriso
e me vejo inundada,
louca,
leve,
chuva.
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Foto: Lílian Almeida

Érica Azevedo (A chuva e o labirinto: Mondrongo, 2017)

Profundanças 2: antologia literária e fotográfica

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Arte: Ícaro Gibran (Imagem disponível na internet)

Acabou de nascer o segundo volume da antologia literária e fotográfica Profundanças. Organizada pela professora universitária, poeta, performer, Daniela Galdino, Profundanças 2 reúne dezesseis mulheres e seus poemas, contos, crônicas, além de ensaios fotográficos que dizem do universo dessas autoras, produzidos por 19 fotógrafes.

Em 2014, o primeiro volume de Profundanças veio a lume evidenciando escritos de autoras em sua maioria inéditas ou com apenas um livro publicado. Abria-se ali um espaço para o diálogo entre expressões artísticas e vozes diversas, para tirar da gaveta o texto e assumir a escrita para leitores do ciberespaço. Uma proposta de difusão e democratização da leitura e da experiência literária, haja vista o livro estar disponível para download na internet através da produtora baiana Voo Audiovisual.

No dia em que Frida Khalo completaria 110 anos, 06 de julho de 2017, o Profundanças 2: antologia literária e fotográfica foi lançado virtualmente e disponibilizado para o público. Em sintonia com o caráter insurgente da pintora mexicana, a obra é fruto de ações colaborativas e representa as resistências e lutas de mulheres para sustentar a voz literária num mercado editorial (e não só) altamente excludente. Estão “irmanades pelo grito” artistas negras, não negras, trans não-binárias da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e São Paulo. A partir do lugar da desobediência é que as escritas e fotografias dançam um bailado insurgente às formas e fôrmas, como assinala Daniela Galdino na apresentação do livro: “cá estamos na continuidade da desobediência. Por refutarmos as dinâmicas literárias que, a cada dia, fabricam a nossa invisibilidade. Por sabermos que somos muitas em profundas relações com a palavra. Por sentirmos uma necessidade avassaladora de falar com outres, ouvir as palavras suas. Por sabermos que alguns nos querem mortas. (…) Estamos na mira constante: nós, mulheres – ainda mais se negras, indígenas, trans, lésbicas, pobres. Ou sucumbimos à mira, ou inventamos formas de re-existir”. Sem sombra de dúvidas, Profundanças é uma forma de re-existir!

Confira abaixo mais um pouco da Apresentação do livro, um aperitivo para o banquete literário e fotográfico guardado nas páginas de Profundanças 2: antologia literária e fotográfica. Faça o download gratuito em:

  http://vooaudiovisual.com.br/projects/profundancas2/

 

Oceano

O mar se deslembra homérico do que passou.
No seu infinito de profundezas
tudo o que do mundo guarda,
é apenas rastro do perdido.

O mar se recaminha todo o tempo,
compulsivo, se busca na senda das ondas.

A areia,
que guarda as lembranças todas
na minúscula caixa de cada grânulo,
tem pena do mar.
Apenas por isto ela dança com suas Águas.
Lívia Natália (Correnteza e outros estudos marinhos, Ogums Toques Negros, 2015)
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Foto: Lílian Almeida

Casamento

Há mulheres que dizem:
 Meu marido, se quiser pescar, pesque,
 mas que limpe os peixes.
 Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
 ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
 É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
 de vez em quando os cotovelos se esbarram,
 ele fala coisas como "este foi difícil"
 "prateou no ar dando rabanadas"
 e faz o gesto com a mão.
 
 
 O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
 atravessa a cozinha como um rio profundo.
 Por fim, os peixes na travessa,
 vamos dormir.
 Coisas prateadas espocam:
 somos noivo e noiva.
 
 Adélia Prado 

 

A noite não adormece nos olhos das mulheres

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
a lua fêmea, semelhante nossa,
em vigília atenta vigia 
a nossa memória.

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
há mais olhos que sono
onde lágrimas suspensas
virgulam o lapso
de nossas molhadas lembranças. 

A noite não adormece
nos olhos das mulheres
vaginas abertas
retêm e expulsam a vida
donde Ainás, Nzingas, Ngambeles
e outras meninas luas
afastam delas e de nós
os nossos cálices de lágrimas.

A noite não adormecerá
jamais nos olhos das fêmeas
pois do nosso sangue-mulher
do nosso líquido lembradiço
em cada gota que jorra
um fio invisível e tônico
pacientemente cose a rede
de nossa milenar resistência


Conceição Evaristo. (Fonte: http://nossaescrevivencia.blogspot.com.br/search/label/escrevivencia)