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Chegando pelos dias uma dança entre palavras e fotografias

Está se fazendo por sobre os futuros a chegada de Profundanças 2: antologia literária e fotográfica, organizada pela escritora Daniela Galdino. Trata-se  da segunda edição de um projeto que reúne duas artes: a literatura e a fotografia.

Segundo breve texto sobre o projeto no site que o acolhe e à publicação, a ser lançada virtualmente no dia 06/07/2017, “Profundanças 2: antologia literária e fotográfica” reúne, em sua maioria, autoras inéditas, há também aquelas que já publicaram livro autoral. Essa antologia integra um amplo projeto de difusão literária e se soma ao primeiro volume, lançado em 2014. A intencionalidade do projeto é conferir visibilidade às produções que encenam formas sensíveis e dissidentes de autorrepresentação. O livro é resultado de uma ação colaborativa e sem fins lucrativos, portanto, ficará disponível para download gratuito por tempo indeterminado” na página da Voo Audiovisual.

Para fomentar a divulgação e dar uma pequena amostra da pujança e beleza trançadas nas páginas de Profundanças 2, foram publicados pequenos vídeos nos quais as autoras integrantes da antologia respondem à pergunta: por que você escreve literatura? A resposta delas você confere na página de Profundanças no Facebook.

Transcrevo abaixo a minha resposta. Você pode vê-la no formato vídeo também no Facebook de Profundanças.

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Foto: Pricilla Andrade

Desenho letras no papel
como quem esboça alvoreceres de manhãs
                                       possíveis.
Escrevo dores, amores e amarguras.
Invento vidas!
               E esperanço auroras violetas.

Acredito no humano e na força que as palavras têm
de descobrir
             no fundo de quem
a porção de humanidade melhor que há.

Desimportante ofício de casamentar
versos e tramas.
Desigual impressão sobre a marca
                                  indelével
da mão de mulher que preenche a folha.
Clareza.

Invento amanhãs.
Há soluços, lágrimas e riso
na cara feia do agora.
Os meus esquadros estão partidos.

Papel e lápis.
Astuciar palavras, ideias, enredos.
Enquanto viver é difícil
invento existires.
                   Por isso escrevo.

Lílian Almeida

Rotina

Primeiro alarme. Levantar. O black amassado no espelho. Os olhos resistiam a acordar. Eliminou da bexiga o acúmulo da noite. Sentada no trono cochilava uma despedida de Morfeu. O relógio marcava, inconteste, as horas no sem tempo. A água fria no rosto ajudava a começar o dia.

A moringa de água fresca esperando para tocar o vidro do copo em cima da pia da cozinha. O gesto igual todos os dias. Um copo. Dois. Acordar por dentro pra ver se por fora também acontece. A água desce lavando o dentro, ela se encaminha para lavar por fora.

O banho quente, a pasta cuspida no chão. No chão, a água encaminha tudo para onde. Dejeto, descarte, depósito. Toalha, desodorante, calcinha, soutien. Aproveita a umidade do cabelo e acrescenta um pouco de creme. Dá forma e arruma. A melhor coisa que fiz foi deixar você ser o que é, não foi? Amassa a cabeleira e arremessa um beijo ao espelho.

Limpeza parte dois. Higiene da cabeça. Ora pra Buda. Canta uma ladainha pros ancestrais. Medita para o vento. Manter a mente quieta e o coração tranquilo. Desistiu da coluna ereta, a escoliose impossibilitava. A turma do invisível sabia que só tinha quinze minutos para tudo isso.

Inspiro, expiro. Não seguro os pensamentos. Auto conduzir-se no exercício de aquietar. As tarefas do dia levitando na mente. Deixar passar. Soltar. Sentir o ar entrar e sair. O ar que entra a barriga aumenta. O ar que sai a barriga retrai.

O dia anterior. Procurava a casa da tia da amiga. Próximo do motel. As duas dentro do carro, perdidas no bairro que não sabiam. Sem nome de rua, só o do motel e o residencial ao lado do motel. Como faço para chegar no motel? A cara desconfiada da mulher da banca de revista. Entra ali, dobra à esquerda, segue, vira. A amiga fazia o tipo menos feminino com aquele cabelo joãozinho. Entra, sai, vai, vira, não acha. Como faço para chegar no motel? Agora o vendedor de caldo de cana. O motel? Perguntou com ar de riso. Sonoro e sério sim. A segunda rua à direita. Os vidros subindo, eu séria e ela rindo. A gente devia ir ao motel. Todo esse tempo procurando por ele e nem gozar? Começo de noite, sexta feira, happy hour no motel, sexo. Gargalhei. Meu tesão é por protuberâncias fálicas e linhas retas. Suas curvas não me abalam. Ela gargalhou. Ah, o Tuca aqui. Verdade. Admiti que ele tinha tudo o que um dia a gente quis para uma transa. Depois do motel, primeira à esquerda. O residencial. Um beijo na sua tia e uma esticada até o motel.

Divagação da porra. Voltar, respirar. O ar entra, o ar sai. O alarme toca. Vinte minutos para o ônibus da empresa passar. Adeus ficar zen o dia inteiro. E o pessoal da intuição que me traria para o agora depois de quinze minutos estava atrasado ou com sono. A mesma correria. Calça, blusa, perfume, batom. Calçou os sapatos, pegou a bolsa sempre pronta. Tirou uma pera da fruteira, enrolou no guardanapo e colocou na bolsa. Café agora só na lanchonete do prédio da empresa. Fez um sinal da cruz e atravessou a porta de casa.

Lílian Almeida

Lisboa, 15 de abril de 1918.

Lisboa, 15 de abril de 1918.

O vento varre as folhas das árvores no calçamento, Lídia. Eu aqui com a tua lembrança mais doce e o espaço curto deste quarto. Nossa última tarde. O teu sorriso depois do amor. O meu olhar esticado até a quina do banheiro, seguindo teu cheiro.

Há folhas e folhas de papel sobre a mesa. As ideias retiraram-se do recinto. Recusam qualquer tentativa minha. Datilografo palavras sem substância. Estou desnutrido de dizeres. Nada há que eu deseje dizer, senão para ti. Diretrizes. Quando estou contigo dou-me todo. Tudo. E fico cheio de algo que não se explica. Cheio a ponto de faltar o que se diga.

Ponho letras a esmo no papel. O som seco das teclas tentam despertar-me da embriaguez. Por que me fazes tão bem, Lídia? Fico assim, entorpecido de você. A fumaça sobe ocupando o volátil espaço do quarto. As pontas do cigarro sobram no cinzeiro. Deixastes o lenço que trazias no pescoço entre os travesseiros. Guardo nele o aroma do teu corpo. Completo novamente a taça de vinho. Entorpeço as folhas na máquina com um olhar duro. A rigidez de um mundo à revelia do sentir. O projeto para os papéis. Inútil. Só vislumbro o seu rosto. As paredes do quarto perderam as arestas, o branco é quase solar. Onde a impessoalidade alva das paredes retas? Para fora da janela, o céu de primavera azul numa Lisboa de construções duras.

Impossível atravessar a bruma de olhos abertos. Largo-me da máquina, dos versos e dos papéis. Cerro a tua lembrança no meu corpo preenchido sobre os lençóis. Amanhã, quiça mais tarde, Lídia, eu terei retinas de não sentir tua presença e dedos de escrever a dureza humana de estar aqui. Hoje não.

Depois, amanhã, hoje, teu Fernando.

Lílian Almeida

Cordis. Cordilheira.

Santiago de Chile, outubro.

Primavera. Depois da chuva o frio se avoluma sobre as janelas e cobertores. As folhas de plátano, verdes, confirmam a estação. Acordo desconfiada de que o tempo é outro. Silêncio na capital, na rua, no quarto. Do oitavo andar se ouve o vazio em mudez urbana.

Atravesso as avenidas a caminho de não sei. Fumaça de cigarro e pernas apressadas para o metrô. Desritmia compassada de pés e folêgo em não. Não ir. Urgência de seguir um ritmo outro de gente alheia. Confusão. Descaminho metropolitano em direção a trabalhos. Dentro dos túneis, o compasso do músculo involuntário sob a minha blusa no vagão. Precaución con el cierre de puertas. A voz gravada anuncia a saída de cada estação. A cada 4 minutos saída e entrada de gente. Muita gente. Meus olhos vidrados no fluxo humano debaixo da metrópole. A estupidez desenha formigas atônitas na curvatura do meu olhar.

Os dias atravessam a cidade abaixo da cordilheira. Irrefreável seguir. A majestade de pedras impõe presença alhures. Estico meu ver em direção ao longe. A paisagem convoca mais que olhos. Pulsares. Santiago se apequena ao lado da madre piedra. Invisível caminho se insinua atrás dos meus olhos miúdos. Incaico partir desde antes a depois. Debaixo da urbe, o império. Transpassado percurso além do passado. Futuro cego de tanta civilização.

O branco acima das pontas de pedras exige visita destemida de frio. Fogueira de gelo imemorial guardado no profundo da minha íris olvidada. Andes! Obedeço e vou. Sigo o percurso de curvas e subidas. O rio beira minha memória de tanto esquecimento. O calor se acresce no aumento da altura, no fundo de mim. Encontro previsto no impensado tempo de existir. Traçada rota.

Ao fundo e acima, o branco mais que branco. Geleira. Retiro as luvas. Contato imediato com o que é e foi. A força vibrando em átomos. Acordo no meu dentro a história além do tempo. O caminho do passado conduz presente em mim. Criança inca. Pulsar de vivo fogo no branco glaciar em Maipo. O desvario em sucessão de vida e morte. As minhas retinas vislumbram o sem tempo de eu comigo antes e agora. O instante já do ser. Inespacialidade de tempo. Atemporalidade de espaço. Sem onde nem quando, eu sou cordis. Andes. Cordilheira.

Meus olhos vestem a capital. Quinhentos anos de passado entre os túneis do metrô e dos museus. Um império de língua quechua ecoando no pericárdio das minhas lembranças. Kusy. A mulher me investe de mapuche, aymara, inca. Eu desço a noite sobre meus olhos para guardar tudo.

Fazia inverno sobre a primavera de Santiago. O sol descortinava, tímido, a manhã. O oitavo andar do apart hotel silencioso entre os rumores de café e malas. Meus olhos floriam outonos de existir sobre a rota descoberta. Adiante, a soberana senhora de pedra e gelo. O aeroporto. Passagem no pouso para dentro. O percurso começava no fim da viagem. Volta para casa.

Lílian Almeida

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Foto: Lílian Almeida

Avó

Graça, tenha cuidado ao limpar essa cadeira. Ela tem muito tempo, não sei se consigo repor as tiras caso alguma delas se rompa, falou, parada na porta da cozinha. A senhora gosta mesmo dela, é? Não combina muito com os móveis da sala, é velha. A senhora não acha? Não. Minha casa tem espaços vivos e a sala só tem vida por causa dessa cadeira de balanço. Desculpe, dona Maembi, não quis ofender não. Ela foi de sua avó, né? Exatamente por isso.

No canto da sala, ao lado da porta de vidro que separava a varanda, a cadeira de ferro e tiras plásticas da avó Dejanira balançava. O abajur em pedestal iluminava a memória das linhas do crochê da avó, quando ela estava lá para contar histórias como quem acrescentava novos pontos no bordado que fazia. Maembi costumava sentar-se ao lado da avó, no sofá em frente à televisão. A cadeira ficava ali, como se mantivesse a avó a fazer crochê e ponto cruz.

Voltou para o escritório, irritada com a impertinência da diarista. Esse povo não tem o menor tato ou bom senso, alinhavava ruminações. Onde já se viu, dizer que um objeto da patroa é velho? O texto aberto na tela do computador. Preciso fechar logo essa matéria para o jornal. A postura da mulher me deixa indignada. Acreditar que o seu crime foi nascer mulher pra fulaninho chegar, assediar, estuprar e tudo o mais. É um absurdo!

Saiu novamente do escritório. Esqueceu de beber água depois da irritação com a diarista por causa da cadeira. Cruzou o corredor que ligava o escritório à sala. Chegou à cozinha remoendo a sujeição da vítima.  Isso é culpa desse sistema filho de um puto, que faz as mulheres se sentirem culpadas por existir, para se desonerar da responsabilidade de apurar os atos contra a vida e a integridade física da mulher. É uma porra mesmo essa sociedade em que a gente vive, Graça. Dizia, indignada, para a diarista. Não entendi direito, dona Maembi, o que é mesmo desonerando? E por que a senhora tá assim, transtornada? Sentou-se no sofá como se retomasse o fôlego e a calma. Desonerando é o mesmo que desobrigar, dispensar, Graça. O jornal entrevistou a moça que foi estuprada no estacionamento da faculdade, se lembra? Sim, me lembro. Pois então, ela diz que a culpa foi dela por ter nascido mulher. Vê se pode? Isso desonera o estuprador, tira a responsabilidade dele. Mas é, dona Maembi, eu mesma já disse pra Deus que na outra encarnação quero ser homem. Mas será o Benedito? Benedito ou não eu quero é ser homem, dona Maembi. Ela olhou desolada para a diarista. Não sabia o que estava dizendo, embora soubesse. Graça, tudo isso é responsabilidade da sociedade machista em que a gente vive. Ela faz a gente se sentir culpada por tudo, até por existir. A responsabilidade do estupro é do estuprador, ele é o criminoso, deve responder pelo seu crime. A moça não deve sentir culpa, não tem responsabilidade nisso, é vítima. É, dona Maembi, pode até ser, mas o certo é que mulher sofre e não é pouco. E mais, a gente é um ser acanhado, se encolhe por um tudo, e numa situação dessas só quer sumir. Olhou atentamente para a diarista, aquela fala era familiar. Mirou a cadeira de balanço. Era assim que a avó dizia: “a vida, minha filha, diz que é pra gente viver encolhida, mas eu acho que não”.

Lá, onde a avó se criou, faltava quase tudo. O regime, como ela dizia, era de guerra. Guerra por sobrevivência. Acordar de manhã era vitória adiada pra de novo lutar. Não faltava pescado e farinha, mandioca dava e a maré não desampara filho seu. O resto, raridade. Seca no chão, sol na pele. Menina, lidava com a mãe na plantação em volta da casa, na maré, quando iam buscar o de comer, e nas coisas de casa. Da casa pra maré, da maré pra casa. E escola, vó, não tinha? Tinha. Não pra menina-mulher, era só pra menino-homem. Os meninos botavam água do poço pra casa, cuidavam dos animais do patrão, galinha, porco, boi, o que tivesse na sobrevivência. De tarde, iam pra escola. Eu ficava com mãe, cosia as roupas furadas no trabalho da roça, se tinha mandioca trabalhava na casa de farinha de seu Tonho, se não, era na maré ou em casa mesmo. Às vezes fazia roupa pras bonecas de milhoo e brincava de fazenda com os ossinhos de galinha. Ah, filha, eu era uma fazendeira bem rica, tinha um rebanho de boi, grande e gordo, ou então era dona de uma terra que tinha um rio no fundo da casa. Era uma fartura o meu sonho de menina. De noite, eu via os meninos fazerem a lição da escola. Eu ficava de junto, olhando e querendo entender aquilo que eles botavam no papel. Meu pai dizia que não, escola não era pra menina. Escola era pra estufar o peito dos meninos e eles saberem lidar no comércio. Pra quê menina ia precisar disso? Tinha que ficar como era, pequena, minguada. Queria se estender pra quê? Mulher era pra ser miúda, homem pra ser grande. Aquilo me cortava por dentro. Eu calava, mas no fundo de mim eu sentia que queria ser grande.

Essa correntinha em cima da mesa, coloco onde? Maembi sobressaltou-se com a voz de Graça. Desculpe, não queria assustar a senhora. Tudo bem. É a correntinha de minha vó Deja. Diala me deu depois de anos guardando a corrente de vó. Agora ela ficará comigo. Parece que a senhora gosta muito dessa avó, né? É. Lembrou-se da impertinência da diarista. Coloque em cima da minha cama. Gosto muito, gosto tanto que acabei de conversar com ela. Vixe, dona Maembi. Ela não é morta? É sim. E você duvida? Deus é mais. Eu, hein.

Lílian Almeida (conto publicado na Subversa, edição de 26 de setembro de 2016)

Carta de outono

Amigo,

Recebi com alegria renovada as suas notícias. Existir é tarefa para loucos. A gente vai fazendo de conta. Percebi que te afliges com o acelerado dos dias e a letargia cara a quem vai cozendo por dentro o fazer da vida. Também me aflijo. Brigo com os ponteiros dos relógios e os número no calendário. Botei todos para fora de casa. Ando só, com os meus tempos outros. Na hora do chá você chegou e preparei-te um café para nosso diálogo. Ficamos na cozinha mesmo, onde acolho os do coração. Esteja certo, foi uma tarde de contentamento revivido.

O interfone toca. Pronto. Boa tarde, Dona T. Tem uma correspondência aqui pra senhora. É  de D. Ótimo! Eu estava mesmo aguardando por ela. Certo. O R. vai levar até aí. Ok, obrigada. Mais cedo tinha interfonado para a portaria perguntando pela encomenda. Há dias esperava. Não, não chegou. Agora sim! O interfone e a notícia de que chegara: missivas.

Na adolescência escrevia cartas para os amigos durante as férias. Tentativa de superar a distância. Eles chegavam entre envelopes e linhas, dizendo saudades e amizades eternas. Era sempre novo o mesmo sentimento de tomar a carta, investigar-lhe com as mãos, abrir e ouvir nas letras a voz ausente. Alegria sem palavras, felicidade de riso aberto nos olhos.

Era um amigo. O porteiro anunciava que subiria. Expectante, aguardei para abrir a porta e tomar-te nas mãos. Fazia dias que esperava. Previa o prazer do contato. Pegar, sentir, cheirar. Sensações, ações. Verbos para satisfazer não só os olhos e o decifrar de cada letra, palavra. Pegar, apalpar, sentir, abrir, cheirar, ver, folhear.  Ler. Talvez o último dos verbos. Porque há  o enamoramento. Prêambulo. Preliminar para que o ato se faça.

O não esperado no encontro  desejado. Na cozinha, tomando um café da tarde. O interfone. Em minutos tudo seria novo e revivido. A mesma felicidade de carta em cima da cama. O curto tempo do elevador alcançar o 15º andar. O mesmo ritual sempre único a cada amigo que chegava. Ela aguardando que a campainha tocasse. Abriu a porta e finalmente encontrou, um maço de cartas, as Cartas a Tereza.

Mas me fale, amigo, e Tereza, que te diz de todas as tuas inquietações? Sabe, o preço da vida é alto e viver tem sido tão menos! Amanhã vai ser maior.

Outono de mar  na capital das páginas de afeto.

Lílian Almeida

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Foto: Lílian Almeida