Arquivo de Tag | A espera

Ricardo Nonato e o seu Cântico de Quitéria

Maria Quitéria

Foi ontem.

Naquela farda
Mora uma mulher
De cabelos tosados
E palpita um corpo
De divisas batalhas.

Atrás da mira,
Olhos agudos
Dizem fogo

E nenhuma mão
Tateia seu corpo
Só pólvoras,
Estilhaços
E sangue.

Na linha de resistência
Quitéria enxuga suas
Dúvidas.

 

A espera

Meu silêncio é sólido.
Pedra que se assenta
Neste barulho de mundo.

Pedra acariciada
Até o corte
Sangue sabor
E meu grito surdo.

 

Escolhos

Essa não é a minha guerra,
Meus emblemas não são estes.
Todo ideal de liberdade que defendo
Monta-se distante.

Sou aqui, corpo
No desvendar de mim mesma
Em cada abraço de fogo.

Nos escombros sou o resto
E procuro
Amontoada sobrevivente de mim.

 

Criação III

Antes do mundo
Não havia o medo
Não havia a morte
Não havia nada.

Deus, então, fez o caos.

 

Ricardo Nonato

(Cântico de Quitéria: ainda em guerra, edição cartonera Pé de Letra)

 

 

 

 

Anúncios