A massa

A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino-bezerro pisado no curral do mundo a penar
Que salta aos olhos igual a um gemido calado
A sombra do mal-assombrado é a dor de nem poder chorar

Moinho de homens que nem jerimuns amassados
Mansos meninos domados, massa de medos iguais
Amassando a massa a mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga a massa dos homens normais

Quando eu lembro da massa da mandioca mãe, da massa

Lelé meu amor lelé
Lelé meu amor lelé
No cabo da minha enxada não conheço “coroné”
No cabo da minha enxada não conheço “coroné”
Eu quero mas não quero (camarão). Mulher minha na função (camarão)
Que está livre de um abraço, mas não está de um beliscão (camarão)

Torna a repetir meu amor: ai, ai, ai!
Torna a repetir meu amor: ai, ai, ai!
É que o guarda civil não quer a roupa no quarador
É que o guarda civil não quer a roupa no quarador
Meu Deus onde vai parar, parar essa massa
Meu Deus onde vai rolar, rolar essa massa

 

Raimundo Sodré

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s