Confraria Poética Feminina III

Continuando a conversa com as autoras do livro Confraria Poética Feminina, organizado por Rita Queiroz, hoje apreciamos os poemas de Eva Dantas e Marcela Soares, ficamos sabendo um pouco mais sobre a efervescência criativa promovida a partir do perfil da Confraria no Facebook e como a interação entre as confreiras estimulou as autoras acima a escrever mais e mais. Vamos a elas!

Eva Dantas
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Imagem obtida através do perfil da autora no Facebook

Definição

Poetizar é deixar-nos ir à outra margem
Que age como uma corrente de dentro para fora
Forçando-nos a riscar o branco do papel
Com palavras de ouro – não letras –
Que voltam ao íntimo para nos marcar.

L. A. – Qual o significado do livro Confraria Poética Feminina na sua trajetória como escritora?

Eva Dantas – O livro Confraria Poética Feminina trouxe-me a certeza da realização de um sonho no campo literário. Desde criança que visualizo um livro em minha história. Tive o meu, que considero primeiro, mas não publicado, que foi a dissertação. O Confraria me deu essa oportunidade de ir um pouco mais além e mostrar meus “rabiscos” a um público maior e que ama a poesia como eu.

O tempo

Caminha pelo teu tempo
E verás a vida alongando-se à frente
Abrindo-se toda como o mar
Que vai e vem todos os dias
E não cansa, apenas dança
Bem diante do teu olhar.

L. A. – Qual a sua relação com a escrita antes e depois da página da Confraria no Facebook?

Eva Dantas – Antes da Confraria, eu estava meio lenta em relação à escrita literária, escrevia para minha página no Facebook, algumas vezes, mas passei uma temporada, depois da conclusão do Mestrado, que meus objetivos voltaram-se para outras coisas. Ao ser colocada no grupo, por Rita Queiroz, a brasa da inspiração voltou a aquecer meu íntimo e há momentos que se não escrevo, parece que estou sendo sufocada. Depois do Confraria no Facebook, ganhei alma nova, renasci para a criação literária, uma das grandes paixões da minha vida.

Essência

O espelho reflete não o que sou
Apenas o que pareço.
Na minha alma, porém, está o espelho
Da vida diante dos olhos
Que veem os trilhos imaginários
Do rumo que quero tomar.
E não eu…
Mas o outro
Caminha involuntariamente.

Marcela Soares

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Imagem obtida através do perfil da autora no Facebook.

Estes versos cortam meus pulsos.
E a rubra dor que me escorre
em seus olhos se aviva.
Aqui, em ti, ao vento…
meu canto é pulsado
hipertenso
com arritmia.
Precisa de marcapasso.
Meu canto é doente porque vem do coração.

L. A. – Qual o significado do livro Confraria Poética Feminina na sua trajetória como escritora?

Marcela Soares – O livro da Confraria Poética Feminina simboliza um marco oficial na minha assunção enquanto escritora. Sempre escrevi poemas, mas minha autocrítica impiedosa me impedia de publicar os textos. Afora um poema ou outro publicado em blogs de escritores amigos que sempre acreditaram mais que eu mesma nos meus textos, e a quem agradeço sempre (Contramão, antigo blog de Mayrant Gallo; Deslocamentos, de Lidi Nunes; e Entre Aspas, antigo blog de Georgio Rios, Thiago Lins e Paulo André Correia), e um poema selecionado para a antologia Bahia de todas as letras, edição da Via Litterarum e Editus em 2006, quando tive algum surto inesperado de coragem e enviei o poema para concorrer, sempre escrevi e guardei meus textos. Mostrava alguns a amigos, mas nunca ousei publicá-los. Até surgir o convite para a Confraria e o desafio de publicar o livro, que soprou ânimo e coragem para que eu os desengavetasse. E isso significou a libertação de muitas correntes, a oficialização de novos ciclos e a assunção da responsabilidade de me assumir escritora.

Mastigo com insistência
esse sentimento
que o estômago digere.
Nutro o corpo
em prazeres logo excretados.
A alma, etíope errante,
aguarda ajuda humanitária.

L. A. – Qual a sua relação com a escrita antes e depois da página da Confraria no Facebook?

Marcela Soares – Comecei a ler muito cedo, dos quatro para cinco anos, por mera curiosidade de entender o que minha avó paterna me escrevia em cartas. E essa prematuridade na leitura me ajudou a desbravar mundos e aprender, também, a escrever cedo. Desde pequena escrevia historinhas que logo viravam papel de rascunho para qualquer outra brincadeira. Lembro-me que na adolescência, minhas amigas adoravam os textos que eu escrevia, e eu sempre as ajudava com as “ridículas” cartas de amor, porque eu conseguia rimar e trazer imagens líricas para situações que nem eu vivenciava. Certa feita, comecei a escrever um livro sobre uma garota, muito inspirada pelos livros “paradidáticos” da escola, que eu lia mesmo antes do ano letivo começar; anos depois, arrumando gavetas, encontrei a história e a achei tão infantil, que joguei fora.

Durante o curso de Letras, voltei a escrever, principalmente poesia, com o valioso incentivo de Mayrant Gallo, professor e escritor. No entanto, guardava muitos desses textos por medo de exibi-los. De uns anos para cá, permiti que o trabalho e a vida cotidiana sufocassem minha veia poética. Mesmo quando tinha uma inspiração, ou deixava passar, ou anotava em pequenos pedaços de papel, e guardava em um classificador que mantenho, com textos inacabados. Quando Juliana Nogueira ‒ a quem muito agradeço também ‒ me convidou para entrar na Confraria, senti-me desafiada a abrir as gavetas físicas e as da imaginação para postar os poemas no grupo. E a experiência de ler cotidianamente os textos das confreiras, além de poder ter o olhar crítico delas sobre seus textos, é extremamente motivador. Passei a escrever com mais calma, e a parar o tempo quando a inspiração vem, para escrever, mesmo que seja em um pedaço de papel. Estou aprendendo a revisar meus pedaços de papel, a reescrevê-los, melhorar os textos, muitas vezes pensando na opinião das confreiras, em futuras publicações, enfim, em expor meus textos. Como disse a confreira e excelente escritora Andréa Mascarenhas, no texto “Sou escritora”, postado no Facebook, dizer-se escritora implica em assumir uma responsabilidade com a escrita artística, e a Confraria me permite, hoje, assumir essa responsabilidade.

Florescer

Há um ar de outono
nessa primavera.
Meu chão não brota mais.

Houve plantio, musas,
quimeras…
Há, agora, sucessão de ais.
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