Brincar com poesia: três poemas de Luiz Valverde

Travessia

 

Pasmo de beira de rio

sofrendo vagar,

pelo que está no meio,

o impossível.

 

Na terceira margem do adeus

vasto céu, a suprema intriga,

onde sabemos que achar

é não ocultar o homem,

mas expô-lo por inteiro e perdido,

paralisado na travessia.

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Foto: Lílian Almeida

 

Sertão de Coité

 

Não importa

que o galope

seja a própria dor

do homem

montada,

açoitando vermelho

nesse fim de tarde.

 

Juízo afinal

 

Um templo vazio

traz sempre a esperança

de que se possam achar os homens

em matreiras incursões

pelos achados e perdidos,

tentando se reencontrar.

 

Luís Valverde (A arte de brincar com a poesia, Via Litterarum, 2013)

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