Gabriel e o Anjo da Bagunça

(…)

 – O que aconteceu por aqui? – ele pensou.

Ele olhava, e olhava, sem entender. O quarto estava completamente bagunçado!

E não era uma bagunça qualquer, uma bagunça normal, como a que Gabriel fazia, sempre que estava brincando. Não, era uma bagunça gigante!

O grande sapo verde e barrigudo, que era a caixa de guardar brinquedos, estava derrubado no chão, com a boca virada para baixo. Era uma boca enorme, como a que têm todos os sapos, e dela os brinquedos caíam, espalhados, embolados. Parecia que o sapo estava devolvendo tudo que engoliu!

E por toda parte, que confusão!

– Mas o que foi isso?

Alguns brinquedos estavam quebrado. O aviãozinho amarelo estava sem uma das asas, e o incrível é que ela tinha “voado, sozinha, para o alto da estante! A cabeça de um boneco estava pendurada no ventilador do teto! E até um pé de meia bem sujinho tinha ido parar na maçaneta da porta!

– Puxa! Nem eu consigo fazer uma bagunça assim! – admirou-se Gabriel.

Nesse momento, Gabriel ouviu a voz da mãe, falando da cozinha.

– Gabriel, o almoço está quase pronto! Vá lavar as mãos!

– E agora? – pensou Gabriel. – Se minha mãe entrar aqui neste minuto, vai achar que… quer dizer, vai acreditar que… aliás, não vai acreditar que… Puxa, que confusão!

Claro, ela não ia acreditar que naquele dia, justamente naquele dia, ele tinha guardado todos os brinquedos dentro do sapo barrigudo, e que até os livros de história ele tinha juntado e colocado no cantinho da estante. Mas também, conhecendo Gabriel, quem acreditaria?

– E agora?

Pronto. Foi só ele pensar, e a mãe apareceu na porta do quarto.

Quando viu toda aquela confusão, a mãe franziu a testa e falou, primeiro zangada, e depois mais e mais admirada:

– Mas desta vez a bagunça foi boa, hein?

A mãe olhou intrigada para a cabeça do boneco, no ventilador do teto, e para a asa do aviãozinho no alto da estante, tentando entender.

– É… parece que não satisfeito em bagunçar no chão, desta vez você usou uma escada!

– Só que “desta vez” não fui eu, mãe!

– É, parabéns! Você conseguiu inventar um novo tipo de bagunça: a bagunça aérea!

– Estou dizendo que “desta vez” não fui eu!

– Ah! É? Então… será que os brinquedos saíram andando sozinhos, de dentro da barriga do sapo? Aliás, andando é pouco. “Voando”, não é?

Gabriel não sabia o que dizer. Pois se nem ele sabia o que tinha acontecido!

– Olha, mãe, desta vez parece até que foi assim mesmo.

Porque eu tinha guardado tudo, eu juro!

– Pois então agora é só você mandar cada brinquedo ir andando, ou melhor, voando, de volta para o lugar dele, certo? Quero tudo arrumado em cinco minutos!

A mãe voltou para a cozinha. Agora Gabriel tinha cinco minutos, não só para guardar tudo e arrumar o quarto, mas para resolver aquele mistério.

Gabriel coçava a cabeça, pensava e pensava, sem achar uma explicação.

– Mas quem pode ter feito isso? – ele pensou, pela décima vez.

(…)

Cleise Mendes (Gabriel e o Anjo da Bagunça, EPP Publicações e Publicidade, 2011)

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