O leito do silêncio

Foto: Lílian Almeida

Foto: Lílian Almeida

É no leito de espinhos que afago o anúncio

Do prelúdio do teu canto…

Espero-te, em infindas horas, no recanto do nosso [leito!

 

É no leito do silêncio das avenidas

Que afago o cós do grito

Na ingestão de bebidas, queimo a dor das esperas

 

Como povo que vota ao resvalo

E que traça a desgraça a cada eleição do pleito!

Assim somos nós!

 

Perco-me no sótão das avenidas!

No leito do silêncio à porta de prantos, a marulhar dentro de mim

Evado-me com quem me deito! Perdi a proa por ti.

 

Na foz do leito quebro as paredes

E as teias que me prendem a ti…

E concluo que:

 

– Amo a vida que não é minha!

Amo a Pólis, que me trai,

E o governo, meu eleito, me enternece o peito!

 

Isabel Ferreira (O leito do silêncio, Edições Kujiza Kuami, 2014)

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