Rua acima e rua abaixo

Foto: Lílian Almeida

Foto: Lílian Almeida

Há que andar rua acima, rua abaixo por estas ruas cheias de barro, cheias de miséria para conhecer a tristeza deste povoado. Cai uma chuva fina como alfinetes de água uniformes e cruéis que se cravam no rosto, nas mãos, em todas as partes.

E depois a chuva forte, raivosa, que nos açoita em seus turbilhões potentes enquanto caminhamos rua acima, rua abaixo.

E em seguida esta gente anônima que desliza por todos os lados com seus guarda-chuvas enlutados num trote indiferente em relação às pobres vidas miseráveis que se consomem na desolação dos invernos…

Oh! como odiamos, como tu odeias, leitor jovem e forte que lês estas linhas, essa gente indiferente e egoísta que não olha as dores de quem quer que seja, que desliza venenosamente sob seus guarda-chuvas enlutados, enquanto a ira do inverno se desfaz em águas…

 

Pablo Neruda (O rio invisível: poesia e prosa de juventude. Trad. Rolando Roque da Silva. Difel, 1982.)

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