Os assombros solares de Adriano Eysen

Meditação sob sopros

 

Não há falta

de ter sido Deus

e ter rido dos homens

quando ser primavera me basta.

 

Uma orquestra de cegos

tateia minhas angústias

e o som vindo das flautas

estilhaça esse espelho de egos.

 

 

O menino e o homem

 

O homem acotovela sonhos

e seus dedos cheios de cansaço

escrevem mitos com sangue e saudades.

 

o homem inventa verdades

e fere o menino

feito de sono e saudades.

 

Hoje, distante dos quintais

o tempo tange o menino

que dói dentro de mim.

 

 

Minhas Marias

 

Eram negras as Marias,

velhas escuras feito a noite

pretas que nem carvão.

 

Eram de brisa as Marias

e cosiam os retalhos

com as danças das mãos.

 

Eram de África as Marias,

velhas pretas

vastas que nem o mar.

 

Eram solares as Marias

e teus olhos luziam

na varanda da casa.

 

Foto: Lílian Almeida

Foto: Lílian Almeida

Eram das águas as Marias

e por debaixo da pele

os rastros do tempo veloz.

 

Eram de pétalas as Marias

e nas abas das saias

o dourado da minha [infância.

 

Adriano Eysen

(Poemas extraídos do livro Assombros Solares)

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