Caminhar é preciso, chorar não é preciso

Farol de Humaitá
Foto: Lílian Almeida

As horas vão passando, os dias vão passando. Eu também vou passando daqui para outra cidade. Vou e não vou, em um não querer de ter de ir. Melancolicamente me derramo sobre as minhas coisas, sobre aquilo que me pertence porque trago no fundo do peito, no translúcido das lágrimas.

Cada olhar voltado para o mar é um silencioso adeus. Um sofrido até breve, até um dia, mais que um dia. Cada olhar voltado para as coisas da casa é uma fotografia para a memória da distância.

Partir. Um ponto de começo e de término. Eu presa na completude deste ponto. Pontos grandes presos na garganta desatam liquidamente dos olhos. Ir. Parto-me na necessidade de seguir.

No movimento do passo, afundo meus pés no barro onde fui gerada. Pisada a pisada reforço todos os pós que me compõem. Minha lágrima amalgama-se ao pó e o faz concretude.

E assim, na consistência de ser quem sou, caminho para onde é a rota. Porque caminhar é preciso, chorar não é preciso.

Lílian Almeida

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2 pensamentos sobre “Caminhar é preciso, chorar não é preciso

  1. Lindo. Prosa poética. Ao mesmo tempo intensa e suave tua escrita… Muito bom!!!! Ir e vir faz parte do movimento da vida, ( te entendo) de novos rumos, de novas histórias…sem descartar um possível retorno. Abraços, Gilka Coimbra.

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