Água Negra

Chove muito na cidade.

No asfalto betumoso um sangue transparente,

ora de um rubro desencarnado,

ora encardido de um cinza nebuloso,

é vomitado em cólicas

por toda a parte.

 

Das paredes duras vaza um mais escuro que,

imagino,

seja a água mordendo as estruturas.

 

A água é assim:

atiçada do céu,

infinita no mar,

nômade no chão pedregoso,

presa no fundo de um poço imenso:

 

A água devora tudo

com seus dentes intangíveis.

 

Lívia Natália (Livro Água Negra)

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