Cinza

Na curva da distância e do tempo Salvador é lembrança de cor viva e quente. Aqui, transformo a cidade e as minhas pessoas numa mnemônica fotografia azul. Mais que isso. Misturo o cheiro verde de mar, o calor amarelo, a sinfonia do vento, o sabor dos sorrisos e as cores e rostos dos meus. É caleidoscópio a montar e remontar figuras de afetivo relembrar.

Aqui, na curva da Marechal Mallet, cinza e frio. O vento é frio. Escondo-me. O calor é tímido. Não sorrio. O ar tem cheiro de nada. Os rostos alheios não me dizem nem lhes digo nada. O ronco dos veículos rasga todas as horas. Como vento em dia de mormaço, a vida arrasta-se, cinza.

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Surpresa à janela: profusão de riscos delicadamente transparentes cortam a casa rosada. O arco-íris dá seu riso multicolorido pro cinza acima dos telhados.

Retinas fatigadas de cinza explodem felicidade colorida.

Lílian Almeida

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